terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Quando a esmola é demais até santo desconfia"

No dia 20 de outubro de 2009, recebi uma ligação inusitada em meu celular. Uma mulher se identificou como Ângela do MEC (Ministério da Educação e Cultura) e disse que eu tinha desde janeiro de 2009, um benefício disponibilizado em meu nome. Perguntei que benefício era esse, pois como sou jornalista e acompanho os jornais, não tinha lido nada sobre esse assunto. Na verdade estava achando o papo estranho.

A mulher disse: “Sim, é do MEC, Ministério da Educação e Cultura. Você tem um telefone fixo? É porque estou ligando de um telefone empresarial e só posso te explicar sobre esse benefício em um telefone fixo, você me passa seu telefone?” Como desconfiei, não passei e pedi a ela o número da central do MEC. A mulher me passou um número de telefone e disse para ligar a cobrar.

Olhei o identificador de chamadas da minha casa e constava uma ligação perdida, de Araraquara, onde moro. Como de praxe, liguei de volta para saber do que se tratava. A pessoa que atendeu, se identificou e disse que era da Microcamp. Desconfiada, perguntei a ela se a empresa tem uma funcionária chamada Ângela, ela negou e disse que a escola não tem convênio com o MEC, somente com a Proesp.

Mas o número do identificador de chamadas da minha casa e o número que a tal Ângela havia passado provavelmente é de um ramal, pois só os dois últimos dígitos são diferentes. Mesmo assim não tirei conclusões precipitadas, afinal um bom jornalista checa as informações.

Ainda não convencida, comecei uma saga na internet. Entrei na página do Ministério da Educação e do Caps, e comparei com o telefone que Ângela havia me passado. Os números não batiam. Até porque o MEC fica em Brasília e não em Araraquara. Mas enfim.

Liguei no telefone do Fala Brasil (0800-616161), mas nas quatro tentativas, a ligação caía logo após a escolha do menu principal. Fiquei de mãos atadas.

Ainda na internet, descobri várias pessoas reclamando da forma que a Microcamp oferece seus cursos, utilizando o nome de instituições governamentais e revelando o nome da verdadeira empresa depois que a pessoa tem de ouvir uma série de possíveis benefícios. Isso porque já há uma lei que limita o atendimento do call center para ser o mais breve possível, afinal as pessoas tem suas ocupações. Fiquei duas horas e meia tentando resolver essa história.

Liguei para a mulher que se identificou como Ângela. Um rapaz atendeu: “Central de Atendimento”, disse que a funcionária estava em ligação e pediu um telefone fixo para retornar minha chamada. Respondi que não poderia passar o número do meu telefone. Questionado sobre a localidade da empresa, o homem usou minha resposta. Disse que estavam em Ribeirão Preto, mas não poderia fornecer o endereço, por ser uma informação sigilosa. Pensei: Não sei como estão em Ribeirão, pois eu nem fiz chamada de longa distância!

Tentei novamente. A funcionária atendeu dizendo: “call center”. De acordo com a funcionária, Ângela estava em reunião, então ela me pediu para ligar mais tarde. Quanto ao endereço, a resposta não mudou tanto. A funcionária informou que estão localizados em Araraquara (!), mas o endereço é sigiloso.

Terceira tentativa. Passei o número do meu celular. Nada.

Quarta tentativa. Minha mãe se identificou como Fernanda e disse que estava interessada em saber sobre o benefício, mas precisava de um retorno urgente, pois sairia de casa em poucos minutos. A resposta veio rapidinho: Ângela retornou.

A abordagem não mudou. O texto usado pela mulher era o mesmo que ela utilizou quando conversou comigo via celular. “Você tem um benefício disponibilizado em seu nome desde janeiro de 2009. Você já recebeu algum contato telefônico ou correspondência da Proesp sobre isso?” Ora bolas, o Brasil todo tem esse benefício e ninguém está sabendo?

Segundo palavras da mulher: “O benefício é concedido pelo Proesp. O Proesp é o Projeto Escola Profissão, que existe para dar continuidade aos estudos. São benefícios sociais, como Bolsa Escola, Bolsa Estudo. O Proesp patrocina a renda estudantil, são 120 reais disponibilizados pela Proesp, que envolve material, uniforme e um acompanhamento psicológico”.

Ângela perguntou se sou estudante, confirmei e ela questionou em qual área. Respondi comunicação. Então entra em ação o serviço de telemarketing tradicional: “Temos contrato com a Gelre e disponibilizamos entrevistas para estágios. Além disso, pra sua área temos cursos de informática, hardware, webdesigner, TI e idiomas, que pode ser inglês e espanhol ou espanhol e inglês (não sei qual é a diferença, já que a ordem dos fatores não altera o produto).

Depois de tudo isso, para terminar meu cadastro, a mulher solicitou meus dados socioeconômicos. Como detesto passar informações pessoais por telefone, disse que não poderia fornecer. Pedi a ela o endereço da empresa para que eu procurasse pessoalmente. A resposta: Microcamp.

A tal Ângela passou o endereço da unidade de Araraquara (Av. São Bento, 1409, centro) e um protocolo. Perguntei seu nome completo e ela perguntou o porquê e se negou a fornecer, já que eu também não passei meus dados socioeconômicos. Tudo bem. A partir daí a conversa não foi nada bem. Eu questionei porque a empresa atua dessa forma utilizando o nome do MEC, já que o que eles fazem é telemarketing. A senhora ficou nervosa e disse que ela não trabalha com call center. Revelei que sou jornalista e que denunciaria o ocorrido, pois fiquei muito incomodada.

Liguei na Microcamp a procura da gerente da unidade e expus a ela toda a situação. Questionei se a empresa tem conhecimento dessa forma de atuação ou se trata de terceiros utilizando o nome da escola. Comentei que vi muitas reclamações na internet em várias unidades, não apenas em Araraquara. Mas a diretora negou que a empresa esteja utilizando o nome do MEC e até hoje não me deu um retorno.

Não tenho nada contra a Microcamp, mas é um absurdo esse tipo de abordagem utilizando nome de instituições governamentais; funcionários se passando por auditores do MEC.

Se não tivesse desconfiado, certamente já teria ido atrás desse tal benefício! Espero que o MEC e o Ministério Público façam alguma coisa. Já entrei em contato com a assessoria de impensa do MEC relatando o que aconteceu.
O Ministério Público precisa apurar os fatos e tomar as medidas necessárias. Do MEC aguardo um pronunciamento, para que as pessoas fiquem atentas.

Abaixo, gente que está com muita raiva da escola, usa a web para contar o que passou. Há casos semelhantes de pessoas que foram abordadas dessa forma. E estão com nome sujo, já que se matricularam e depois decidiram não fazer o curso.
Quando a esmola é demais até santo desconfia. Por isso, não acredite facilmente em propagandas/telemarketing que prometem mundos e fundos. É sempre bom ter os pés no chão. Lembre-se que o barato pode sair caro.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fibromialgia

Em entrevista ao Blog Impressões Cotidianas e ao Podcast da Paty Menezes, o reumatologista Fábio de Andrade Malara fala sobre uma síndrome da vida moderna. A fibromialgia.

O que é fibromialgia?

Fibromialgia é uma síndrome caracterizada, por dores, principalmente músculo-esquelético difuso, cansaço e sono não reparador. É uma situação que não deixa seqüelas, mas que interfere muito na qualidade de vida dos pacientes. Existe uma tendência genética, por isso é mais comum em mulheres, atingindo em torno de nove mulheres para um homem. O tratamento envolve medicamentos, exercício físico, um trabalho do aspecto emocional.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clinico, ou seja, não existem exames complementares que vão constatar esse problema. A pessoa tem que apresentar alguns sintomas, como dores difusas em diversas partes do corpo, a presença de um sono não reparador, um sono não restaurador. Ou seja, o paciente até dorme a noite toda, mas já acorda cansado, como se não tivesse dormido. E no exame físico há a presença de pontos dolorosos em localização específica. É esse conjunto que nos dá o diagnóstico.

Que pontos são esses?

Existem dezoito pontos pesquisados em lugares diferentes do corpo, localizados atrás da cabeça, na região dos trapézios, no tórax, nos quadris, nos membros superiores, na parte medial dos joelhos, por exemplo. Para fins de classificação, exige-se a presença de pelo menos onze pontos desses dezoito, mas isso não é obrigatório para se fazer o diagnóstico de fibromialgia. Se houver sintomas muitos característicos, menos pontos podem ser suficientes para nos dizer que a pessoa tem fibromialgia.

Então esses pontos são uma referência?

Sim, mas há outros sintomas muito freqüentes também. São mais comuns dores de cabeça, formigamentos, câimbras. Normalmente existe um perfil de temperamento característico de quem tem fibromialgia. Não é obrigatório, mas normalmente são pessoas perfeccionistas, detalhistas, que gostam de ter as coisas todas em ordem e ter o controle. Gostam de assumir diversas tarefas e fazê-las de forma impecável. Isso gera uma ansiedade que acaba interferindo na sensação dolorosa.

O stress está relacionado a essa doença?

Com certeza. Não é a única causa, mas é um fator de piora tremendo. Se já existe uma ansiedade e eventualmente o aumento do grau de ansiedade leva a uma piora, leva às crises de dores.

O psicológico pode interferir? Essa é uma síndrome psicossomática?

Não é uma doença psicossomática, porque existem alterações de neurotransmissores. O fator emocional funciona como um gatilho, como um fator de piora. A fibromialgia não é uma doença psicossomática, mas é agravada ou provocada, muitas vezes, por fatores de stress emocional.

Como combater essa síndrome?

O principal é o exercício físico, porque o exercício libera a endorfina, que promove o relaxamento da musculatura e analgesia, que é a melhora da dor e também a melhora da qualidade do sono. Os maiores números de estudos são com exercícios aeróbicos, a musculação também tem um papel interessante enquanto trabalha o fortalecimento. E tudo o que promove o relaxamento, de preferência um exercício que dê prazer e que trabalhe o aspecto emocional. Se existe o temperamento perfeccionista, detalhista vale a pena trabalhar com psicoterapia. O resultado é interessante, com melhora das dores. Existe o tratamento medicamentoso também, com antidepressivos que são usados em doses menores do que quando utilizado como antidepressivo. Funciona como relaxante muscular. Também são usados relaxantes musculares. Há um medicamento novo da Pfizer. Estamos começando a utilizar, mas as expectativas são positivas. No meu ponto de vista não é o medicamento e sim o estilo de vida. Trabalhar o emocional, exercício físico regular, condicionamento físico. O medicamento funciona como complemento.

Essa síndrome limita os movimentos do corpo?

Pode limitar na medida em que a pessoa tem dor. A gente chama de dor difusa, mas a dor pode se localizar numa certa região e depois migrar. Quando a dor se localiza, geralmente é muito intensa. Existem algumas outras doenças reumatológicas como a artrite reumatóide, uma inflamação que gera dores muito intensas e a fibromialgia pode ser ainda mais intensa do que a artrite reumatóide. É difícil avaliar até que ponto a dor interfere na atividade da pessoa, até porque muitas vezes o que leva a uma crise de dores é o aspecto emocional. A gente não sabe se a pessoa não consegue se levantar da cama por conta da dor ou pela depressão. Existe uma dificuldade de lidar com a dor por conta de um temperamento ansioso, depressivo. É importante lembrar que até 30% das pessoas que tem fibromialgia tem depressão. Por isso o tratamento psicoterápico pode ser mais interessante para algumas pessoas, para atuar no emocional.

Essa doença atinge mais mulheres do que homens?

Normalmente são 9 mulheres para cada homem. Os pontos dolorosos muitas vezes não estão presentes nos homens. O tratamento para o homem é mais difícil, o remédio não tem o mesmo efeito, é doloroso, mais incapacitante para o homem no meu ponto de vista. Não sei te dizer o porquê, mas é uma observação. O índice é mais freqüente em mulheres por ser um fator genético.

E quanto à faixa etária?

Normalmente no início da fase reprodutiva da mulher, dos 20 aos 50 anos, uma média de 25 a 30 anos. Em crianças e idosos, mas não são muito frequentes, por isso temos que tomar mais cuidado e sempre pesquisar outras causas para a dor. Esgotadas as outras possibilidades, no caso do idoso, a gente pode afirmar e verificar o diagnóstico de fibromialgia.

A fibromialgia tem cura?

Não tem cura, assim como nenhuma doença que tem o envolvimento da genética, mas tem um controle. Os pacientes ficam muito preocupados com isso, mas hoje em dia, que doença tem cura? Uma infecção, uma amidalite tem cura, pois você toma antibiótico e se cura em uma semana. Agora pressão alta, diabetes, colesterol, são doenças frequentes e que não tem cura, mas tem um controle. Cura é uma coisa, tratamento é outra. A fibromialgia tem tratamento. Não quer dizer que você vá tomar remédio a vida inteira. É possível, mas não é obrigatório. Algumas pessoas conseguem só com exercício e trabalhando o emocional, se livrar do medicamento.

Como os leitores fazem para não confundir uma dor qualquer com fibromialgia?

Quem pode fazer o diagnóstico é o médico, de preferência o reumatologista, que é quem trata a fibromialgia. O importante é conhecer os sintomas, que são: dores difusas pelo corpo, que são migratórias, vão de um lado para outro. Essa característica de dores migratórias em diferentes partes do corpo associado ao sono não restaurador, ou seja, a pessoa dorme a noite toda e já se levanta cansada, como se não tivesse dormido. Muitos relatam que acordam mais cansados do que quando foram dormir. Quando existirem esses sintomas, procure o reumatologista. Às vezes um exame complementar pode afastar outras possibilidades, por isso só um médico, de preferência um especialista, pode diagnosticar e tratar.

A alimentação pode atuar como coadjuvante no tratamento?

Existem alguns trabalhos de nutrólogos relacionando alguns tipos de alimentos com a sensação dolorosa, mas a Sociedade Brasileira de Reumatologia não propõe nenhuma restrição alimentar para o tratamento da fibromialgia, não chega a tanto, mas é um campo interessante. Não existe nada definido ainda quanto a restrições alimentares.

A medicina alternativa pode ajudar?

Sim o resultado é interessante. A acupuntura, que não tem efeitos colaterais, pode ajudar melhorando a ansiedade, o humor, a sensação dolorosa, o sono não reparador. Ginásticas para relaxamento, ginásticas orientais, tudo o que leva ao relaxamento, ao alívio da ansiedade. As terapias alternativas são válidas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um brasileiro chamado Álvaro Taniguti

Hoje quero dividir com você o drama vivido por Álvaro Taniguti, meu amigo, ex-colega de trabalho e também jornalista. Tenho certeza que a história dele não é única. Tem muita gente enfrentando a mesma situação, com garra, força, fé, alegria e disposição.
Depois de uma conversa via internet com Álvaro e de acompanhar o blog dele, resolvi enviar um email para a produção do programa Mais Você, da Ana Maria Braga. É o quarto poder entrando em ação, já que esperar a atitude de alguns profissionais nem sempre resulta. Depois que a imprensa divulga um assunto, as pessoas começam a se mexer, pois criam vergonha na cara, mesmo que de forma forçada. Esse é o nosso Brasil. Quando as coisas vão começar a mudar? Será utopia pedir coisas simples como o funcionamento do sistema de saúde público, educação de qualidade, geração de empregos e o fim da corrupção?
Abaixo a reprodução do email que enviei para o programa da Rede Globo.

Boa tarde, Ana Maria Braga e equipe. Acompanho e admiro muito o seu trabalho. Sou jornalista também e quero sugerir uma pauta para o seu programa, especialmente por você ter se curado do câncer. Eu, assim como o Brasil todo, acompanhei o seu caso. Eu e toda a minha família rezamos por você. Você sabe bem o que é isso.

Tenho certeza que a minha revolta é a mesma de muitos brasileiros, que vivem a mesma situação de um amigo meu, chamado Álvaro Taniguti. O Álvaro luta contra o câncer desde 2002. Ele (e a maioria da população) não tem dinheiro para custear o tratamento. O câncer dele é no cérebro (glioblastoma multiforme), ele havia feito um tratamento em SP e há cerca de seis anos levava uma vida normal, trabalhando, estudando e tudo mais. Entretanto, a cada seis meses ele retornava a São Paulo para acompanhar o estágio da doença e estava tudo bem, tudo controlado. Em 2009 o câncer voltou, ele fez uma cirurgia e aí entra a revolta de todo um país, pois acredito que muita gente enfrenta a mesma situação.

O Álvaro, (que também é jornalista) assim como muitos brasileiros precisa de um medicamento para o câncer, Temodal. Nos últimos meses ele enfrentou o descaso de uma médica e a demora do sistema de Saúde Público, pois tem que enfrentar a burocracia brasileira para conseguir dar continuidade no tratamento. Só o medicamento chega a custar cinco mil reais. Resumo da ópera: o paciente tem que esperar de 30 a 40 dias a aprovação do Ministério da Saúde para obter o remédio! Como pode isso? Agora o Álvaro terá de recorrer à Justiça, com um mandado de segurança para conseguir o tratamento. Engraçado é que o acesso a saúde é um direito de todo o cidadão, está em nossa Constituição. Isso tudo é uma palhaçada com a cara do povo brasileiro, que já está cansado de ver tanta coisa errada, tanta “enrolação”. E apenas quem se dá bem são os políticos! E o povo brasileiro? E a saúde garantida pela Constituição?

Tanta corrupção, tanto político vivendo bem à custa do dinheiro do povo e quem realmente precisa tem de esperar? Para o uso de cartãozinho corporativo e apartamento funcional não é preciso esperar (e duvido que tenha tanta burocracia)! Acho revoltante esse tipo de coisa que acontece no nosso país. Gostaria que abordasse esse assunto, se quiser mais informações, acesse o blog do Álvaro:
http://alvarotaniguti.blogspot.com/

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sobre o diploma para jornalistas

Não gosto de pensar como o mundo é injusto, mas essa é a realidade que paira sobre a vida de todos, em diferentes circunstâncias... Como você se sentiria se tivesse dedicado no mínimo, quatro anos da sua vida para cursar uma graduação e depois saber que a profissão que você tanto sonhou em exercer foi desregulamentada? Como você se sentiria se soubesse que não é preciso um diploma para exercer uma profissão? Diploma que você conquistou com muito esforço, dedicação, estudo, pesquisa, trabalho.

Pois quem é jornalista no Brasil sabe bem o que é estudar e depois ter a decepção de ver, mais uma vez, sua profissão julgada e desvalorizada (já não bastasse o quanto já é desvalorizada pela própria classe). Não estou puxando a sardinha para o meu lado, só porque consegui concluir um curso universitário. Já há muito tempo, reconheço o valor de grandes jornalistas que não têm diploma. Só para citar dois exemplos, Alberto Dines e Boris Casoy nunca freqüentaram um curso de jornalismo, mas são dois mestres brilhantes da área. Embora haja excelentes profissionais sem formação acadêmica (tive o prazer de trabalhar com um brilhante jornalista que não é formado). Apesar desses fatos, defendo a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Parece controverso, mas não é. Explico.

O problema são as atuais e as próximas gerações. A geração destes respeitados senhores (Dines e Casoy) teve sua construção intelectual em outra época (numa “era” cultural e intelectualmente mais rica, diga-se de passagem). Eles não freqüentaram uma universidade, mas têm todo o conhecimento que muito foca não tem. A prática da profissão por si só, não é argumento para a não obrigatoriedade do diploma, já que qualquer profissional, de qualquer área precisa de um curso, seja lá qual for - graduação ou técnico - para se especializar. O mercado de trabalho está aí, feroz. Exige-se cada vez mais. A não exigência do diploma para jornalistas está na contramão desta tendência.

Penso que é muita falta de respeito julgar uma profissão sem ao menos conhecê-la. É muito conveniente, prático e muito simples comparar o ofício de um cozinheiro a de um jornalista (sem conhecer de perto nenhuma das duas profissões). É muito fácil e cômodo.

Depois a sociedade reclama da imprensa que tem. Não me causará espanto se depois dessa mudança, vir à tona casos de jornalistas sem formação que não checam notícias, que não conheçam a responsabilidade do trabalho que têm em mãos. Muita gente ainda não percebeu que um jornalista precisa ter conhecimentos teóricos também, como qualquer outro profissional, para exercer seu trabalho da melhor maneira possível. É preciso estudar para saber teoria da comunicação, técnicas de redação, ética, administração em jornalismo e muitas outras disciplinas.
Ou será que o jornalista já nasceu sabendo tudo? Muitos ignorantes acreditam que essa atividade é feita de glamour. Também tem muito jornalista que ajuda a formar essa visão distorcida quando se considera um semideus, com ou sem um diploma.

O que faz alguém ser um bom profissional nos tempos modernos é a união de estudo e prática. Por isso defendo que os jornalistas da sociedade atual se empenhem, estudem e ingressem ao mercado de trabalho.

As grandes empresas como a Rede Globo e o jornal Estado de São Paulo compartilham desta opinião e continuarão a contratar pessoas que tenham frequentado o curso de jornalismo. Não se trata de disputas entre formados e não formados. Trata-se de igualdade, pois para tantas outras profissões é necessária uma formação específica.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Saia do mundinho de aparências

As coisas poderiam ser mais simples. O ser humano poderia ser mais simples. Porque alguns vivem num mundo de aparências, querem parecer o que não são? Querem convencer ou provar para os outros que são suficientemente poderosos, bons profissionais, que têm dinheiro, amizades e amor de sobra. E que são felizes, pois suas contas bancárias são bem fartas.

Não entendo porque às vezes compramos coisas que não vamos usar. Porque alguns vivem de status? Porque viajamos ou vamos a um restaurante só para dizermos que sim, estivemos lá? Será que é tão difícil ter opinião própria e fazer o que realmente se tem vontade e não o que está na moda ou o que é tido como chique? Pra que comer caviar e dizer que é ótimo se na verdade você não gosta! Isso é um bocado estranho. Na verdade é ridículo.

Neste mundo tem de tudo. Gente interesseira, cara-de-pau, que só olha para os próprios interesses; para a própria agenda e se julga o mais ocupado do mundo, o mais inteligente, o mais bonito, o melhor informado, o que tem mais conhecimento.

Tem gente que consegue fingir que sente algo por outra pessoa, fingir um sorriso ou uma lágrima. Dissimular que realmente torce pela felicidade alheia, se na verdade se rói de inveja e ciúmes.

O ideal é buscar o equilíbrio, pois tão irritante quanto aguentar aquele tipo que se sente “a última bolacha do pacote” ou a “última Coca-Cola do deserto” são as pessoas que estão sempre deprimidas, que não acreditam no seu potencial, são inseguras e se veem como as piores pessoas.

Nós precisamos aprender que nascemos para sermos felizes, temos esse direito. E que o ser humano não tem uma vida feliz por poder comprar uma calça de três mil reais à vista ou porque pode passar um final de semana em Paris. Esse tipo de pensamento é tão banal. Como ainda há gente que associa felicidade ao dinheiro? Ao consumo? Aos bens materiais.

Precisamos parar com essa cultura do ter ao invés do ser. E buscar coisas, pessoas e ambientes que valorizem e proporcionem um amor puro, sem interesses escusos.

É claro que uma vida cheia de glamour deve ser sensacional, mas eu nunca diria que quem é rico é feliz por ser rico. Essa é diferença. E também não sou contra os ricos nem ao dinheiro. Inclusive sou admiradora de quem é rico e é simples, não destrata ninguém e não se julga melhor que os outros. Admiro a humildade.

Apenas me contraponho às pessoas maquiavélicas, interesseiras, que usam os outros para seu próprio benefício, que são egoístas, manipuladoras e que foram criadas desta forma: acreditando que o dinheiro resolve tudo, compra tudo, inclusive a felicidade.

Assim como não gosto nem um pouco de gente que vive de aparências, querendo mostrar ao mundo aquilo que não é. Ora, não estamos nesse mundo para provar nada aos outros. Então pra que disputas? Ninguém é melhor que ninguém.

Quem quer passar a imagem de que tudo é cor de rosa simplesmente está com o pé fora da realidade e precisa rever seus pontos de vista.

sábado, 23 de maio de 2009

Lula e suas gafes

Lula já está em seu segundo mandato, mas parece que não aprendeu. A impressão que dá é que ele não se cansa de cometer gafes, não liga para o que a mídia vai publicar. Sai falando besteira sem pensar na repercussão. É ridículo ter um chefe de Estado que não conhece o que está dizendo ou que fica fazendo piadinha das coisas. Sempre fazendo citações e comparações chulas.

Sem falar na linguagem que ele utiliza. Lula pensa que está se aproximando mais do povo e quer demonstrar simplicidade, mas muitas vezes ele envergonha os brasileiros. Está certo que ele até tem sido elogiado, tem uma boa imagem no exterior, mas não são todos que estão satisfeitos com seus discursos e governo.

A última gafe que ele cometeu foi na Turquia ao dizer que todo o vendedor de porta em porta é chamado de turco no Brasil. A platéia, que era formada por empresários pelo jeito não entendeu e sequer teve alguma reação. Além disso, ele confundiu turco com árabe, fez a maior salada. E se não bastasse ainda errou e feio ao dizer que o Brasil tem 17 milhões de quilômetros de fronteira terrestre, quando na verdade são 15.719 quilômetros.

Nosso presidente precisa parar de querer improvisar ou precisa ter alguém em sua comitiva que veja esse tipo de gafe. Se bem que mesmo com textos prontos Lula sempre abriu a boca demais, mesmo na época em que ele tinha José Dirceu por perto.

Vamos aguardar para ver qual será a próxima gafe. É rir pra não chorar de vergonha por ter um representante desses. Ao menos fica mais uma lição para que nas próximas eleições a gente pense bem em quem vamos colocar no poder, independentemente de partido político e sim de competência e capacidade de oratória, o que é muito importante num representante do povo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Honestidade em pauta

Sucesso é poder dormir tranqüilo, sem ter desviado rios de dinheiro, sem ter prejudicado ninguém. Sucesso é ser honesto.

O alagoano José Gomes da Costa é conhecido como Sucesso, pois está sempre de bem com vida. Esta semana ao varrer a calçada na região central de São Paulo, Sucesso encontrou um cheque de R$ 2,5 mil. O homem que é pai de quatro filhos e os cria sozinho, está endividado. Seu salário é de aproximadamente R$600 por mês.

Certamente se ele não pensasse duas vezes ficaria com o dinheiro. Se ele se lembrasse dos escândalos que a gente vê todos os dias na política brasileira ele sequer cogitaria a possibilidade de procurar o dono. Poderia pensar que “achado não é roubado”. Mas não, o gari não deu ouvidos à pessoas que lhe disseram para ficar com o cheque e quitar suas dívidas.

Claro que essa atitude sensata do gari é questionada por algumas pessoas que acreditam que a mídia talvez não precisasse noticiar uma atitude dessas. Mas com tantos valores distorcidos, tornou-se tão comum roubar, esconder, enganar, sonegar, falsificar. Então tudo o que é sensato deve ser cada vez mais valorizado. Se não vira essa pouca vergonha que está aí.

Bons exemplos é o que precisamos. Já estamos cansados de abrir os jornais e nos depararmos com tantas falcatruas neste país... Uso indevido de dinheiro público. São viagens, apartamentos funcionais, salário-paletó e etc. Uma palhaçada com a cara dos brasileiros. Mas graças a Deus as pessoas não são iguais.
O gari não havia percebido, mas se trata de uma ordem de pagamento, portanto não poderia ser descontada. O documento está em nome do Banco do Brasil, que já tratou de enviar um funcionário para buscá-lo. Uma ONG fará um churrasco no final de semana em homenagem a atitude do gari.